Entramos com uma ação contra a Vale SA e a Samarco Iron Ore Europe BV na Holanda por seu papel no pior desastre ambiental da história do Brasil. A Stichting Rio Doce Claims, uma fundação sem fins lucrativos da Holanda, contratou a Pogust Goodhead e a Lemstra Van der Korst, uma empresa líder em litígios na Holanda, como consultores jurídicos para a ação. O objetivo é oferecer outra chance de compensação àqueles que ainda não receberam a indenização total das empresas de mineração e que não aderiram à ação inglesa contra a BHP.
A ação está em nome de reclamantes que incluem sete municípios brasileiros (dos estados da Bahia, Espírito Santo e Minas Gerais) e uma fundação que representa quase 1.000 empresas e associações e mais de 77.000 indivíduos. Outras 100.000 vítimas já demonstraram interesse em participar da fundação.
A fim de garantir que as vítimas sejam indenizadas em caso de condenação, os tribunais holandeses atenderam ao pedido dos escritórios de advocacia e apreenderam os ativos financeiros que a Vale S.A. detém em sua subsidiária holandesa.
O caso está ocorrendo na Holanda porque, motivada por incentivos fiscais oferecidos pelo país, a subsidiária holandesa da Samarco era o principal meio de gerenciar, comercializar e distribuir o minério de ferro da empresa, que era produzido por meio da barragem que se rompeu.
O Tribunal Distrital de Roterdã agendou uma audiência de gerenciamento de caso para 14 de julho de 2025 para definir os detalhes das próximas etapas do processo.
O desastre da barragem de Mariana
Em 5 de novembro de 2015, a barragem de rejeitos de Fundão desmoronou no Brasil, liberando cerca de 50 milhões de metros cúbicos de resíduos tóxicos.
O rompimento da barragem de Mariana liberou rejeitos de mineração na bacia do rio abaixo, destruindo centenas de cidades, vilarejos, empresas e residências.
A lama se espalhou tão rapidamente que os habitantes não tiveram tempo de escapar, e 19 pessoas perderam a vida.
A barragem era operada pela Samarco, uma joint venture entre as gigantes da mineração Vale, do Brasil, e a anglo-australiana BHP.






Mais de oito anos após o pior desastre ambiental da história do Brasil, é chocante que muitas vítimas ainda não tenham recebido a devida reparação pelos danos causados a elas. As ações que estão sendo movidas na Holanda contra a Vale e a Samarco Iron Ore Europe BV por seu papel no desastre mostram que atrasar a justiça e fazer ofertas de baixo valor no Brasil não impedirá que as vítimas exijam justiça.
Estamos felizes por termos recebido instruções para responsabilizar a Vale e a subsidiária da Samarco por seu papel no desastre. Chegou a hora de os conglomerados multinacionais serem responsabilizados por suas ações onde quer que operem ou obtenham seus lucros. As subsidiárias holandesas desempenharam um papel fundamental na extração global de lucros da mina da Samarco, sendo a Samarco Iron Ore Europe BV um meio significativo de gerenciar, comercializar e distribuir o minério de ferro da Samarco produzido a partir da barragem de Mariana que ruiu, destruindo a vida de tantas pessoas.
A Vale e a Samarco não apenas deixaram de fazer a coisa certa pelas vítimas, mas também expuseram seus investidores a níveis extraordinários de risco em relação à conta de indenização sem precedentes que a empresa enfrenta agora.
Por muito tempo, as vítimas do desastre da barragem de Mariana viram a Vale e a BHP continuarem a se vangloriar de seus lucros e dividendos para os acionistas, enquanto as vítimas ainda não receberam reparação por suas perdas, pois continuam a viver com a devastação que as empresas causaram há oito longos anos."
Tom Goodhead
CEO e sócio-gerente global
O desastre da barragem inglesa de Mariana
Cerca de 700.000 reclamantes fazem parte de uma ação coletiva separada contra a BHP nos tribunais ingleses. Você pode saber mais sobre a ação contra a BHP aqui.
