Processo judicial sobre o rompimento da barragem de Brumadinho avança após três dias de audiência em Munique 

29 de maio de 2026
  • Parentes das vítimas e pessoas afetadas comparecem à audiência em Munique 
  • O Tribunal Regional de Munique está realizando uma análise mais aprofundada da responsabilidade da TÜV SÜD  
  • Anunciadas as provas periciais e os depoimentos das testemunhas 

Munique, 28 de maio de 2026 — Apóstrês dias de audiências no Tribunal Regional I de Munique, cidadãos e municípios brasileiros afetados pelo rompimento da barragem de Brumadinho em 2019 comemoraram os avanços no processo judicial movido contra a TÜV SÜD, empresa alemã de certificação acusada de ter certificado a estabilidade da barragem antes de seu rompimento. 

O desastre causou a morte de 270 pessoas e dois bebês ainda não nascidos. O processo está em tramitação no Tribunal Regional de Munique desde 2019 e, embora seja conduzido de acordo com as normas processuais alemãs, o direito material aplicável ao caso é o direito brasileiro, em conformidade com a legislação europeia que rege as ações decorrentes de danos sofridos em outros países. 

A audiência centrou-se principalmente numa apresentação detalhada da legislação brasileira em matéria de direito ambiental e de responsabilidade civil, realizada pelo perito nomeado pelo tribunal, o Dr. Jan Peter Schmidt, do Instituto Max Planck de Direito Privado Comparado e Internacional. O Tribunal anunciou ainda novas fases de instrução do processo, incluindo laudos de peritos técnicos e depoimentos de testemunhas. 

Entre os temas discutidos estavam as circunstâncias em que as empresas podem ser responsabilizadas por desastres ambientais e os deveres que as corporações internacionais têm para com as comunidades expostas a riscos. 

Os demandantes acolheram com satisfação o anúncio do Tribunal de que, nas próximas etapas do processo, ouvirá o depoimento de um perito técnico e de testemunhas — incluindo funcionários da própria TÜV SÜD. Consequentemente, o processo entra agora numa fase mais centrada na apresentação de provas e na apuração dos fatos. 

Segundo os requerentes, os certificados de estabilidade emitidos para a barragem foram fundamentais para a continuidade das operações da mina. Eles argumentam que, caso a certificação tivesse sido negada, medidas como evacuações, restrições operacionais e alertas à população teriam sido implementadas. 

O Dr. Jan Erik Spangenberg, advogado dos requerentes, que trabalha em parceria com o escritório de advocacia internacional Pogust Goodhead, afirmou: 

“As audiências demonstram que o Tribunal está analisando tanto as questões jurídicas quanto as factuais com grande rigor. Para as pessoas afetadas no Brasil, este é um sinal importante. Muitas famílias esperaram mais de sete anos para que a responsabilidade fosse não apenas reconhecida moralmente, mas também examinada por meio do processo judicial. Estamos convencidos de que as perícias já anunciadas darão uma contribuição decisiva para o apuramento dos fatos.” 

Os requerentes também destacam que a duração do processo continua a representar um fardo significativo para muitas famílias, que há anos aguardam uma decisão judicial e o reconhecimento de seu sofrimento. 

Gustavo Barroso Câmara, requerente e irmão da vítima Izabela Barroso Câmara Pinto, afirmou: 

“Há cinco anos, vim a Munique pela primeira vez — não para entrar em um litígio judicial, mas para buscar justiça para minha irmã Izabela. As audiências dos últimos dias me deram esperança de que estamos nos aproximando desse objetivo. A TÜV SÜD certificou a barragem como segura, embora ela não o fosse. Izabela, juntamente com outras 270 pessoas, foi soterrada viva pela lama liberada pelo colapso. Nada pode trazê-la de volta, mas continuarei voltando e lutando até que a responsabilidade da TÜV SÜD seja plenamente reconhecida e todas as vítimas sejam devidamente indenizadas.” 

O Tribunal Regional I de Munique anunciou novas etapas do processo para o outono. 

Os requerentes são representados pelo escritório de advocacia internacional Pogust Goodhead — que obteve uma vitória histórica nos tribunais ingleses em novembro, em nome de centenas de milhares de vítimas do desastre de Mariana contra a empresa de mineração anglo-australiana BHP — em parceria com o escritório de advocacia alemão Spangenberg. Ambos os escritórios são especializados em litígios coletivos de grande porte envolvendo vítimas de desastres ambientais e conduta corporativa indevida. 

Notas aos editores 

  • O processo decorre do rompimento da barragem de rejeitos da mina do Córrego do Feijão, ocorrido em 25 de janeiro de 2019, nas proximidades da cidade de Brumadinho, no estado de Minas Gerais, Brasil. A torrente de rejeitos minerais devastou grande parte da região e causou um dos piores desastres socioambientais da história do Brasil. 
  • Antes do desastre, uma subsidiária brasileira da TÜV SÜD havia certificado que a barragem era estável. Os demandantes alegam que a empresa permitiu a emissão de certificados de estabilidade apesar dos riscos conhecidos. 
  • Os processos envolvem atualmente mais de 1.500 requerentes, incluindo mais de 100 crianças que perderam um dos pais no desastre. A indenização solicitada é estimada em aproximadamente 600 milhões de euros. Os familiares diretos das vítimas fatais — incluindo pais, filhos e cônjuges — estão solicitando, cada um, cerca de 680.000 euros a título de indenização. As investigações criminais continuam em andamento tanto na Alemanha quanto no Brasil. 

Mais imprensa

Os advogados da Pogust Goodhead contribuem com o capítulo sobre o Brasil para a primeira edição do Guia de Ações Coletivas da Law Over Borders
A Pogust Goodhead tem o orgulho de anunciar sua contribuição para a primeira edição do Guia de Ações Coletivas da Law Over Borders, publicado pelo The Global Legal Post,...
Leia mais
Caso Mariana na Inglaterra: Tribunal de Apelação rejeita recurso da BHP e confirma a responsabilidade da mineradora pelo desastre
Londres, 6 de maio de 2026 – O Tribunal de Apelação da Inglaterra rejeitou nesta quarta-feira o pedido da BHP para recorrer da decisão histórica...
Leia mais
Tribunal de Apelação rejeita tentativa da BHP de anular sentença que a responsabiliza pelo caso Mariana 
Londres, 6 de maio de 2026 – O Tribunal de Apelação da Inglaterra e do País de Gales indeferiu hoje o pedido da BHP para interpor recurso contra a decisão histórica do Tribunal Superior...
Leia mais