Caso Mariana: Justiça inglesa confirma que PGMBM continua representando centenas de milhares de autores na ação contra a BHP 

October 12, 2026

Londres, 12 outubro de 2026 — O Tribunal Superior da Inglaterra decidiu que o PGMBM, anteriormente chamado Pogust Goodhead, continua sendo o escritório responsável pela representação de centenas de milhares de autores brasileiros na ação de Mariana contra a gigante da mineração BHP, rejeitando a tentativa de transferência da representação jurídica para o Bailey Glasser International (BGI).

A disputa surgiu depois que o Comitê de Clientes, formado por 17 integrantes, declarou que encerraria a contratação do PGMBM em nome de todos os atingidos que fazem parte da ação e nomearia o BGI em seu lugar. A posição do PGMBM era de que o Comitê havia sido criado para auxiliar na condução do processo e na transmissão das instruções dos clientes, mas não havia recebido poderes para encerrar coletivamente a representação jurídica de centenas de milhares de autores que possuem contratos individuais com o PGMBM. 

Na decisão, o juiz David Waksman concordou que o Comitê não tem autoridade para substituir os advogados de todos os atingidos do desastre de Mariana que são parte da ação contra a BHP na Inglaterra. A determinação traz um esclarecimento importante e reforça a legitimidade do escritório que oito há anos representa os atingidos na busca por indenizações pelo maior desastre socioambiental do Brasil.

A audiência, que ocorreu nos dias 5 e 6 de outubro e teve sua decisão divulgada nesta segunda-feira (12), tratou especificamente da autoridade do Comitê de Clientes para determinar a mudança. É importante destacar que o processo não tratou do direito de cada cliente de escolher seu próprio advogado. O PGMBM sempre reconheceu que cada cliente é livre para tomar essa decisão individualmente. A questão submetida ao Tribunal era se o Comitê poderia tomar essa decisão em nome de outras centenas de milhares de pessoas.

 

A decisão encerra um período de incerteza sobre a representação em um momento em que a ação de Mariana entra em uma etapa crucial: a fase de quantificação de danos, cujo julgamento está atualmente previsto para começar em abril de 2027.

 

O caso

 
Em novembro de 2025, a Corte Superior reconheceu a responsabilidade da BHP pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, que matou 19 pessoas e provocou uma devastação ambiental e econômica de grandes proporções em toda a bacia do Rio Doce, cujos impactos são percebidos até os dias atuais.

 

Alicia Alinia, CEO do PGMBM: 

“O Tribunal trouxe o esclarecimento que centenas de milhares de atingidos de Mariana precisavam. O PGMBM continua sendo o escritório que os representa no processo e a tentativa de transferência coletiva para o BGI não mudou essasituação.

Esta disputa nunca teve como objetivo restringir a liberdade de cada cliente de escolher seu advogado. A questão era se essa escolha poderia ser feita por um pequeno grupo em nome de centenas de milhares de pessoas, sem que cadauma delas tomasse essa decisão por si mesma.

Nossos clientes não deram origem a esta disputa e jamais deveriam ter sido envolvidos na incerteza que ela criou. Agora podemos voltar a concentrar nossos esforços em preservar o julgamento de abril de 2027 e garantir a indenização que eles esperam receber há quase onze anos.”

 

 

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