O magnata brasileiro do suco de laranja será julgado em Londres por operação ilegal de cartel, conforme garantimos uma sentença histórica

5 de novembro de 2021

Mais de 1.500 produtores de laranja brasileiros estão comemorando hoje depois de garantir uma decisão do Supremo Tribunal Federal que forçará o multibilionário magnata do suco de laranja brasileiro, José Luis Cutrale, e seu filho, José Luis Cutrale Jr., a enfrentar um julgamento.

O pai e o filho irão a um tribunal na Inglaterra por sua suposta participação em um cartel ilegal que afetou substancialmente o mercado global de venda de suco de laranja.

Produtores de laranja contra os Cutrales

Atuando em nome dos produtores de laranja, argumentamos com sucesso que o caso deveria prosseguir na Inglaterra contra os Cutrales, devido às suas extensas conexões com o Reino Unido, incluindo uma residência exclusiva em Londres, e por não haver nenhuma chance realista de o litígio na Inglaterra interferir nos processos nos tribunais brasileiros, que estão irremediavelmente atrasados há anos.

Os produtores estão buscando indenizações que podem chegar a bilhões de libras. Alega-se que o cartel suprimiu os preços pelos quais os produtores podiam vender laranjas, forçando milhares de pessoas a fecharem as portas e outras milhares a irem à ruína financeira.

Um passo mais perto da justiça

Pedro Martins, Sócio, disse: "Essa decisão histórica que permite que o caso contra os Cutrales vá a julgamento nos tribunais ingleses é um passo mais próximo da justiça para nossos clientes. O impacto do cartel da Cutrale foi devastador para os produtores de laranja e estamos empenhados em buscar a reparação total em seu nome."

"Representamos clientes com tendências suicidas, deprimidos e que tomaram medidas drásticas para escapar desse cartel, e simplesmente não se pode ignorar isso", continuou Pedro.

"Estamos determinados a ajudar as vítimas dos Cutrales. Embora os Cutrales tenham tentado persuadir o Tribunal Superior de Londres a não ouvir o caso, eles falharam e nós os responsabilizaremos integralmente pelas perdas financeiras que causaram e pelo impacto social do cartel ilegal que operaram."

Histórico da reivindicação

Conhecido no Brasil como o "Rei da Laranja", José Luis Cutrale Sr. é proprietário e dirige a Cutrale, uma das maiores processadoras e distribuidoras de suco de laranja concentrado do mundo, com sua família, incluindo o filho José Luis Cutrale Jr., corréu neste caso.

Em 2016, os Cutrales admitiram ter se envolvido em práticas ilegais e anticompetitivas entre 1999 e 2006 e pagaram uma multa administrativa de mais de £ 70 milhões.

No entanto, nenhuma das vítimas do cartel foi indenizada e, depois de tentar infrutiferamente buscar reparação no Brasil, os representantes das vítimas do cartel da Cutrale procuraram a Prisma Capital, uma financiadora de litígios de terceiros em São Paulo, buscando assistência para litigar no exterior.

Justiça e reparação

Nosso sócio-gerente, Tom Goodhead, disse: "José Luis Cutrale Sr. não deve ser protegido das consequências pelas fronteiras, e essa decisão é um grande passo em direção à justiça e à reparação para os reclamantes.

"Eu aplaudo os representantes das vítimas do cartel por terem tido a visão de buscar financiamento de litígio de terceiros e, em particular, por terem abordado a Prisma Capital para financiar o caso. Sem isso, o litígio que responsabiliza os Cutrales nos tribunais da Inglaterra e do País de Gales nunca teria sido possível.

"Acreditamos que esta é a primeira aplicação privada da lei de concorrência brasileira nos tribunais ingleses e é uma prova de que Londres é o principal centro de resolução de disputas do mundo."

Tom continuou: "No entanto, este caso não é sobre os advogados ou financiadores. O cartel teve um impacto devastador sobre nossos clientes e as comunidades em que vivem."

Histórias de vítimas da Cutrale

Um relatório sobre o impacto do cartel encontrou fazendeiros aterrorizados e um deles admitiu:

"De 2004 a 2012, eu estava perdendo cerca de 200 mil por ano. Quando o banco me ligou para dizer que eu estava falido, apontei uma arma para minha cabeça e puxei o gatilho duas vezes."

Outro compartilhou:

"Tive que derrubar todas as árvores para rescindir automaticamente um contrato - tive que queimar 70.000 árvores para sair do contrato - só pude rescindir o contrato depois de destruir toda a minha produção."

Junto com os Cutrales, empresas multinacionais como a Cargill e a Louis Dreyfus Commodities confessaram sua participação no cartel, no qual os participantes foram tão descarados que firmaram um acordo de cartel por escrito e até mesmo auditaram a operação do cartel.

À medida que o litígio avança, é provável que a extensão total do alcance do cartel venha à tona, com os participantes sendo forçados a divulgar documentos que comprovem a natureza completa de sua participação.

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