Desastre da barragem de Brumadinho: Cinco anos de injustiça

25 de janeiro de 2024

Hoje faz cinco anos que a barragem de Brumadinho entrou em colapso no Brasil e quase 12 milhões de metros cúbicos de resíduos tóxicos foram liberados nas comunidades locais e nos sistemas de água.

A tragédia resultou em um dos desastres ambientais mais devastadores da história brasileira.

Apesar dos avisos claros sobre a barragem, a subsidiária brasileira da TÜV SÜD certificou sua segurança e, assim, permitiu a continuidade da operação da barragem e da mina, o que acabou levando ao desastre.

272 pessoas foram mortas.

Para marcar os cinco anos de injustiça, estamos compartilhando as histórias das pessoas afetadas, mostrando o impacto que o desastre teve em suas vidas.

Flávia Aparecida Barbosa Coelho

O pai de Flávia falava com frequência sobre suas preocupações com a barragem em que trabalhava em Brumadinho: "Ele já tinha muito medo do que poderia acontecer lá".

Tragicamente, há cinco anos, as preocupações de Olavo Henrique se tornaram realidade quando uma barragem de rejeitos da mina de minério de ferro Córrego do Feijão desmoronou, matando ele e outras 271 pessoas.

Foram necessários nove longos dias para que o corpo de Olavo fosse encontrado.

"Meus filhos esperavam que o avô voltasse para casa todos os dias."

Cinco anos depois, Flávia ainda luta para dormir à noite: "Imagino a dor e o sofrimento que meu pai e as vítimas passaram dentro da mina.

Eliane de Almedia

Quando Eliane de Almeida soube do rompimento da mina em Brumadinho, há cinco anos, tentou imediatamente ligar para seu irmão que trabalhava na barragem: "Não consegui falar com ele. Ele não retornou minhas ligações porque estava morto".

João Paulo morreu tragicamente ao lado de outras 271 pessoas em um dilúvio de lama e resíduos tóxicos.

Na época do desabamento, Eliane estava fora de casa visitando a família, mas nunca teve permissão para voltar para casa: "Nossa casa foi condenada. Não tivemos permissão para voltar. Minha família não pôde recuperar nada. Ficamos apenas com as roupas que havíamos levado na viagem para a casa da minha mãe."

Gleison Welbert Pereira

Gleison Welbert Pereira trabalhava na Vale como técnico especializado no dia do desabamento da mina de Brumadinho, há cinco anos.

"Ouvi um barulho alto e vi postes caindo. Depois, vi uma onda de lama com cerca de cinco metros de altura."

Gleison estava em sua caminhonete com alguns de seus colegas. Eles tomaram a decisão rápida de ir embora: "As pessoas estavam gritando para que eu acelerasse. Estávamos todos com medo de que a lama nos atingisse. Eu vi a ponte desabar. Nunca tinha visto nada tão horrível".

Depois que Gleison dirigiu até o topo do morro e deixou seus colegas em segurança, ele tomou a corajosa decisão de descer de volta para ajudar a resgatar outras pessoas.

"Muitas pessoas disseram que estão vivas hoje porque eu as salvei. Não acho que fiz nada de extraordinário; quando vi alguém correndo da lama, não pude deixar de parar o caminhão para ajudar. Ajudei todos que pude."

Claudia Duarte de Silva

"Oito dias após o rompimento da barragem de Brumadinho, um amigo me ligou para dizer que haviam identificado o corpo do meu marido. Antes disso, eu não tinha notícias dele ou sobre ele."

"Pediram-me que identificasse seu corpo, mas não consegui na época. Eu deveria ter feito isso, me arrependo de não tê-lo visto."

Claudia foi informada de que seu marido, Glayson Leandro da Silva, inicialmente conseguiu escapar da onda de lama, mas heroicamente voltou para tentar ajudar seus colegas a escapar.

"Mal consigo falar sobre o que aconteceu. Não consigo mais fazer as coisas que costumávamos fazer juntos. Ainda me sinto como se estivesse sempre de mau humor. Ele era o único que costumava me animar."

"Os responsáveis pela barragem estavam cientes de sua situação. Eles não fizeram nada para salvar sua vida."

Amanda Carolina Maia Rios Moreira

Amanda Carolina Maia Rios Moreira estava em casa no dia 25 de janeiro de 2019. Ela recebeu uma ligação telefônica de seu irmão, que lhe contou a notícia do rompimento da barragem.

"Senti como se soubesse que meu marido estava morto."

Naquela noite, ela esperou por notícias sobre seu marido Cleidson. Ela soube por um de seus colegas, que disse a Amanda que tinha visto Cleidson correndo da lama: "Comecei a acreditar que ele ainda estava vivo e perdido na floresta".

Mas quando ela recebeu um telefonema 13 dias após o desastre, foi para pedir que ela identificasse o corpo de Cleidson.

"Sinto-me como se estivesse em um looping em um funeral eterno."

Juntamente com Manner Spangenberg, estamos representando as vítimas do desastre em seu processo contra a TÜV SÜD em Munique. 

"O papel da TÜV SÜD nesse desastre não pode ser subestimado, e o atraso na indenização das pessoas afetadas só aumenta a angústia e a frustração das vítimas. É desanimador que, mesmo depois de cinco anos, o caminho para a justiça e a compensação justa permaneça difícil para nossos clientes." -Bruna Ficklscherer, Diretora Jurídica, Pogust Goodhead

Continuaremos lutando por justiça para nossos clientes, cujas vidas e meios de subsistência foram destruídos pelo desastre.

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